A Foto
setembro 14th, 2011 § 1 Comentário
Onze, dez, nove. Que luz é essa? Será que eu já morri? Não, não morri. Pelo jeito, não. É um flash. Será que vão me reconhecer na foto? Será que meu filho ou minha mulher vão conseguir me ver de cabeça pra baixo? Quem tira uma foto dessas?
Oito, sete, seis. Já acostumei com o vento. O frio na barriga parou. Por que eu ainda não morri? Lá em cima me garantiram que eu morreria antes de tocar o chão. Será que a foto ficou boa? Será que meu filho e minha mulher vão conseguir me ver? Espero que sim. Não. Espero que não.
Cinco, quatro, três. Vou chegar no chão. Não passou filme pela minha cabeça. Só vento, frio, minha mulher, meu filho. O diabo da foto. Será que alguém vai me ver nessa foto?
Dois, um. Saudades da minha mulher. Saudades do meu filho. Maldito avião. Não vou proteger a cabeça. Espero que seja de uma vez só. O escuro.
Zero.
(Texto publicado no especial sobre os 10 anos do 11.9 no site Jornalirismo: www.jornalirismo.com.br)
Esse texto me lembrou um livro do Augusto Cury, chamado “O semeador de ideias”, só que ao contrário.
Adorei o post.
Bjs