Os gênios também erram – e isso não é legal

agosto 1st, 2011 § 1 Comentário

Depois de assistir aos filmes do Woody Allen e de alguns outros diretores, costumo deixar o cinema com dois sentimentos diferentes. Saio feliz por ter visto uma incrível demonstração de inteligência de um ser humano. Por outro lado, e esse lado costuma ser muito mais forte, saio me achando um bosta, um completo fracassado por nunca ter feito nada parecido com o que acabei de ver. Aliás, pior do que sair me sentindo um bosta, saio com a certeza de que sou uma pessoa normal.

Hoje, li no blog do Michel Laub (http://michellaub.wordpress.com/2011/08/01/updike-foster-wallace-e-estilo/) um post em que ele retira um trecho do livro do James Wood (Como Funciona a Ficção) em que o autor conta como é instrutivo ver bons escritores cometendo erros. E aponta um erro no romance “Terrorista”, do John Updike.

Isso me fez lembrar o susto que levei ao perceber, na terceira ou quarta vez em que vi “Vicky Cristina Barcelona”, filme que eu amo, um erro no roteiro do Woody Allen.

Primeiro, obviamente, tive quase certeza de que o errado era eu, o normal. Não Allen, o gênio. Porra, errar é normal – não genial. Então vi o filme novamente. E lá estava o erro, cristalino.

A verdade é que era coisa boba e por isso, vou contar rapidamente. No começo do filme, quando Vicky e Cristina estão na exposição de um artista em Barcelona, Cristina pergunta à tia de Vicky, quem é o homem com uma camisa vermelha (Javier Bardem). A tia de Vicky diz que não sabe muito bem e pergunta ao marido, que explica tratar-se de um pintor que levou um tiro da ex-mulher etc.

Mais ao final do filme, há uma festa na casa da tia de Vicky. E Juan Antonio (Javier Bardem) está lá na festa. Vicky se assusta e pergunta o que ele faz lá. E Juan Antonio explica que sua tia é uma amiga sua de longa data e que o convidou. Ou seja, no começo do filme, a tia não conhece o pintor. Ao final, meio que de passagem, o roteiro diz o contrário.

Enfim, nada que atrapalhe muito. Tanto que só percebi na quarta vez que vi o dvd. O curioso aqui é que, mais uma vez, logo depois de assistir a um filme do Woody Allen, continuei convivendo com a sensação de ser um bosta. Mas por que, meu Deus? Eu vi o Woody Allen errar.

Pra mim, achar um erro no roteiro dele me fez ver como os gênios estão perto das pessoas normais. Eles erram também. No entanto, continuam longe e inatingíveis nos acertos, um passo à frente de nós, mas com um abismo no meio. Ou seja, nós, os seres humanos, e os gênios, nos igualamos nos erros. Mas os gênios são definidos pelos momentos de brilhantismo. Nós, pelos de normalidade. Eles erram. Nós nunca brilhamos.

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§ One Response to Os gênios também erram – e isso não é legal

  • trocadeideia disse:

    Me sinto assim todo o tempo, e acho que é esse sentimentos que nos leva para frente nos fazendo querer ser melhores a cada dia. :D
    Bj

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