Gainsbourg – O homem que amava as mulheres

julho 12th, 2011 § Deixe um comentário

O filme sobre a vida de Serge Gainsbourg não se leva a sério. E talvez por isso seja tão elegante em mostrar a decadência que vive o personagem sem querer explicar pro público: “gente, ele está sofrendo, tá?”.

Serge Gainsbourg teve a vida que muitos gostariam de ter. Na infância, pintava. Virou músico, cantor, compositor. E um conquistador de mulheres. Todas elas lindíssimas.

Teve um caso com Brigitte Bardot quando ela estava no auge. Casou-se com Jane Birkin, a musa de Blow Up, linda de morrer e bem mais nova que ele.

Fumava como se não houvesse amanhã. Bebia o dia inteiro, todos os dias. Infartou e, escândalo dos escândalos para esses tempos politicamente corretos, fumou logo depois no próprio quarto do hospital em que estava internado.

Tudo isso é contado com leveza e com a poesia presente num boneco alto, magro, de dedos compridos e ainda mais feio que Gainsbourg: seu lado negro.

A falta de seriedade com que o próprio filme se trata, aliada à forma como ele é contado, somada ao título em português (“O homem que amava as mulheres”), pode dar a entender que estamos diante de uma história de conquistas. Um olhar mais atento, no entando, mostra que o filme de Gainsbourg é uma história sobre fracassos.

Apesar de ter alcançado grande sucesso como músico, ele queria mesmo, até o final da vida, ser pintor. Embora tenha vivido um caso com Brigitte Bardot, sofreu muito mais com a separação do que aproveitou os bons momentos. Com Jane Birkin, a mesma coisa. Até suas músicas costumavam fazer sucesso só depois de algum tempo e, geralmente, em versões que não eram cantadas por ele.

No meu modo de ver, o maior mérito do filme é justamente não ter caído no pieguismo. Era mais fácil fazer uma cinebiografia como a de Ray Charles, por exemplo: uma história de conquistas contada pelo ponto de vista do sofrimento. O filme de Gainsbourg faz o contrário: conta uma história de fracassos através das conquistas.

Pra mim, a beleza dele está aí. O filme mostra os pontos muito altos para que acabemos sentindo, muito mais do que vendo, os pontos baixos.

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