Mia Couto é um dos grandes escritores em língua portguesa. Estou lendo seu último livro, “Venenos de Deus, remédios do Diabo”, lançado recentemente ao mesmo tempo no Brasil, em Portugal e em Moçambique.
Ontem me deparei com uma passagem que eu adorei. Não pelo caráter filosófico, mas pela simplicidade e graça do momento em que um personagem se surpreende com ele próprio ao fazer a seguinte definição.
“Aos 10 anos todos nos dizem que somos espertos, mas que nos faltam idéias próprias. Aos 20 anos dizem que somos muito espertos, mas que não venhamos com idéias. Aos 30 anos pensamos que ninguém mais tem idéias. Aos 40 achamos que as idéias dos outros são todas nossas. Aos 50 pensamos com suficiente sabedoria para já não ter idéias. Aos 60 ainda temos idéias mas esquecemos do que estávamos a pensar. Aos 70 só pensar já nos faz dormir. Aos 80 só pensamos quando dormimos”.
Não sei se é exatamente assim que acontece. Mas principalmente a definição sobre os 30 e os 40 anos eu achei genial.